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		<title>Leptospirose no Santo Antônio</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jun 2007 21:33:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Patrícia Santiago Não se pode precisar o número de ratos existentes em Salvador, fala-se em milhões, pelo menos sete vezes a população humana e muitos deles estão espalhados por todo o bairro do Santo Antônio Além do Carmo, localizado no centro histórico de Salvador. Esses animais infectados transmitem a “Leptospira” através da urina. O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=18&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<p>Não se pode precisar o número de ratos existentes em Salvador, fala-se em milhões, pelo menos sete vezes a população humana e muitos deles estão espalhados por todo o bairro do Santo Antônio Além do Carmo, localizado no centro histórico de Salvador. Esses animais infectados transmitem a “Leptospira” através da urina. O principal meio de contágio da doença é o contato com urina de ratos.</p>
<p><span id="more-18"></span></p>
<p>Se os ratos continuarem tendo água, abrigo e alimento, então, a leptospirose nunca será erradicada. Enchentes e chuvas fortes contribuem para o contato das pessoas com a água contaminada pela urina dos ratos. Em Salvador, a leptospirose reflete principalmente a baixa qualidade de vida da população e apresenta nítida variação sazonal ocorrendo maior número de casos nos meses do verão e acometendo populações residentes em áreas de risco, onde há falta de saneamento básico, precárias condições de habitação, e a presença de lixo, propiciando o aumento da população murina (ratos). Cristiane, de apenas nove anos, foi vítima da doença em 2003. Segundo sua mãe, Consuelo Dias, a menina contraiu a doença em contato com a água da chuva contaminada. “Não buscamos ajuda imediata por falta de informações sobre a gravidade da doença”, afirmou Consuelo.</p>
<p>A combinação entre sistema de drenagem precário, chuvas e acúmulo de lixo cria o ambiente ideal para a proliferação da doença. Tanto que as maiores concentrações de casos são nos bairroscom casarões antigos, como Santo Antônio, ou bairros populosos, como Pau da Lima e Boca da Mata. E não só dela: surtos de hepatite e diarréia também são comuns por causa da precária infra-estrutura. “Os investimentos em saneamento não são suficientes, não acompanham o crescimento populacional”, afirma Juarez Dias, médico da Vigilância Epidemiológica da SESAB.</p>
<p>Na rua dos Carvões, próximo ao largo de Santo Antônio, por exemplo, os moradores queixam-se do acúmulo de lixo e do serviço de coleta, que consideram irregular. A exemplo de outras ruas do bairro, os detritos acumulam-se nas portas das casas e nas esquinas, tornando o ambiente propício ao aparecimento e à proliferação de ratos. <a href="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rmh7gCDEDiI/AAAAAAAAAkk/68pRiyXmf7Q/s1600-h/leptos.jpg"><img style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" src="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rmh7gCDEDiI/AAAAAAAAAkk/68pRiyXmf7Q/s320/leptos.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p>Tal situação é freqüente em vários bairros, sobretudo em bairros populares, como os do subúrbio ferroviário, em canais pluviais e encostas, onde o acesso dos caminhões de coleta é mais difícil. A Limpurb nega irregularidades no serviço de coleta, mas a população se queixa, ressaltando a falta de divulgação dos horários da passagem do caminhão que recolhe os restos colocados nas portas de casas e prédios. Por falta de dinheiro no cofre municipal, alega a prefeitura, a campanha de distribuição de folhetos educativos, sobre como acondicionar o lixo e os horários de coleta, deixou de ser feita este ano. “É preciso sempre educar a população, mas são necessários recursos para tais campanhas”, esclarece o presidente da Limpurb, Hari Alexandre Brusti.</p>
<p>Para quem reside próximo de áreas onde o lixo se acumula, como na Rua dos Carvões ou na Ladeira da Água Brusca, no bairro de Santo Antônio Além do Carmo, os dejetos jogados nas ruas trazem ao convívio não apenas animais e insetos transmissores de doenças, mas também um grande incômodo com o mau cheiro. Os comerciantes José Augusto Silva, 38 anos, proprietário de uma barbearia, e Valdiney Muniz da Silva, dono de um bar localizado na Rua dos Perdões, também próximo ao largo, encaminharam um abaixo-assinado para a prefeitura solicitando regularidade na coleta e transferência do contêiner de lixo que fica próximo de seus estabelecimentos. “O contêiner só traz problemas. São ratos, moscas, baratas e mau cheiro que afastam os clientes e trazem doenças”, diz Valdiney.</p>
<p>O contêiner colocado na Rua dos Adobes, transversal da rua principal do bairro, fica tanto tempo sem ser esvaziado que serve de fonte de renda para catadores de lixo. Eles passam os dias vasculhando, junto com animais, o lixo em busca de restos de comida e materiais recicláveis. Esse é o trabalho, por exemplo, de Roberto Moreira de Castro, 31 anos, e de Luciene Alves Bandeira, 47, que residem na ruína de um velho casarão juntamente com marginais, mendigos e outros catadores de lixo. “O lixo é o nosso ganha-pão”, diz Luciene, alheia aos riscos à saúde que corre. “Não tenho opção”, completa Roberto Castro.</p>
<p>Segundo a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder), já existem projetos em andamento no bairro do Santo Antônio. O RemeMorar tem como objetivo viabilizar que viabilizou de início a restauração de cinco prédios em ruínas, que tende a preservar a vida, a ocupação ordenada do centro e evitar que acabem se tornando abrigo de marginais e venha a contaminar mais a área, e o Viver Melhor, que retira famílias que vivem em ruínas sem condições de restauração, e as apropria em apartamentos construídos com fundo de apoio do governo do estado.</p>
<p><strong>Prevenção</strong><br />
Como no Bairro de Santo Antônio não há um Hospital com capacidade para tratar de casos como a Leptospirose, a maioria dos casos são enviados ao Hospital Couto Maia, Monte Serrat, tel.: (71) 3316-3261<br />
* Como a maioria dos sintomas da leptospirose, como febre e dores pelo corpo, são comuns a outras doenças (como gripe e dengue), é importante relatar ao médico, logo no início do atendimento, se houve possibilidade de o paciente ter tido contato com urina de animais contaminados, para que o diagnóstico seja facilitado, mas a vacinação contra a Leptospirose e evitar a presença de ratos é o modo mais fácil de combater a doença, que pode ser identificada através de exames específicos de sangue e urina podem identificar a doença, mas o resultado é demorado &#8211; portanto, é preciso iniciar o tratamento antes da confirmação do diagnóstico. O tratamento é feito com altas doses de penicilina ou outros antibióticos e só tem validade se iniciado até o quinto dia do início da doença.Caso contrário, não haverá modificação em sua evolução.<br />
(novembro de 2006)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/18/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=18&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Santo Antônio dá jeito</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jun 2007 21:29:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>

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		<description><![CDATA[por Arlon Carlos De 1º à 13 de junho, muita gente faz promessa para Santo Antônio. O santo famoso por promover casamentos, encontrar coisas desaparecidas e outros milagres é uma das santidades mais veneradas no Brasil – depois de São Francisco de Assis. Em Salvador, Santo Antônio é nome de bairro, de fortificação militar, de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=17&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rmh6iCDEDeI/AAAAAAAAAkE/sULkZVR0Q7o/s1600-h/igreja2.jpg"><img style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" src="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rmh6iCDEDeI/AAAAAAAAAkE/sULkZVR0Q7o/s320/igreja2.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p>por Arlon Carlos</p>
<p>De 1º à 13 de junho, muita gente faz promessa para Santo Antônio. O santo famoso por promover casamentos, encontrar coisas desaparecidas e outros milagres é uma das santidades mais veneradas no Brasil – depois de São Francisco de Assis. Em Salvador, Santo Antônio é nome de bairro, de fortificação militar, de largo e de igreja. Todo ano, no mês de junho, o bairro de Santo Antônio Além do Carmo se torna um lugar de destaque na cidade. Os moradores do local se mobilizam para preparar os festejos em homenagem à ele. A Irmandade do Santo Antônio, responsável pelas comemorações, conta com a ajuda de muitos fíéis e devotos. A festa é em agradecimento às muitas graças alcançadas por quem um dia já precisou do santo ou que vem contando com sua proteção diariamente.<span id="more-17"></span></p>
<p>O santo dos pobres foi seguidor de São Francisco de Assis e era filho de família rica. Seu verdadeiro nome era Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo. Nascido em 1195, em Portugal, não se tem certeza se em Lisboa ou em Pádua, Antônio viveu pouco: aos 36 anos, morreu na cidade de Arcella. Até hoje, os devotos continuam a cultivar os ideais de solidariedade do santo, distribuindo pães para os necessitados. A escritora Mabel Velloso, irmã do cantor e compositor Caetano Velloso, é uma das mais fervorosas fiéis do ídolo, inclusive, no dia 13 de junho (aniversário de morte de Santo Antônio), ela costuma acompanhar a procissão, que segue pelas ruas do bairro, e assitir à missa campal. Na família de Mabel, isto é um costume muito antigo, que vem desde suas avós, Maria Clara Velloso e Júlia Muniz: “Ah, isso lá em casa já é de muito tempo. Além de mim, Bethânia e meu irmão Ricardo Velloso são devotos de Santo Antônio. Toda terça-feira, eu vou à Benção de Santo Antônio, na igreja da piedade, e lá distribuo pães, que são benzidos, para os que precisam da nossa ajuda. O Brasil está muito carente de solidariedade”.</p>
<p>Os adoradores de Antônio garantem que a fidelidade à ele tem rendido bons frutos. Não importa a forma como se trate o santo, com respeito ou com castigo, ele sempre atende o pedido. Uns querem casar, por isso até são capazes de por o santo de ponta à cabeça, e só o retiram desta posição depois que ele ajeita o casório. Outros dizem que isto é uma heresia e não gostam nem de pensar numa coisa dessas. É o caso, por exemplo, de Ana Maria Sales dos Santos, 55 anos, que veio de Alagoinhas com 10 anos de idade e há 20 mora em Salvador, no bairro do Santo Antônio: “Eu respeito muito meu santo, ele curou minha filha. Joceane (Sales Santos, 34 anos) já nasceu com asma. Há quase seis anos, Santo Antônio a curou. Eu me prostei de joelhos, pedindo com toda fé que ele me ajudasse, e ele me ajudou”.</p>
<p>Teve gente que foi para a terra do Cristo redentor para conhecer o santo, como é o caso de Nilzete Ferreira Costa, 70 anos. Foi no estado do Rio de Janeiro que ela se tornou uma das mais fiéis devotas do discípulo de São Francisco: “Eu estava numa lanchonete em Copacabana, em 1985, fazendo um lanche. Na hora de pagar a conta, olhei para minha bolsa e estava cortada. Tinham levado minha carteira, com todos os documentos e trinta reais. Atordoada, eu segui para o Leme. Lá tinha uma igreja da paróquia de Santo Antônio. Daí, eu entrei e fui rezar. Rezei com tanta fé para ele, que com o passar de horas, eu recebi um telefonema de uma delegacia de polícia me informando que tinham encontrado minha carteira e os documentos, só perdi os trinta reais”. Nilzete também é moradora do Santo Antônio. Já vive no bairro há vinte e cinco anos, onde não perde uma trezena em homenagem ao seu fiel protetor.</p>
<p>O frei Ronaldo Marques, 44 anos, há três à frente da paróquia de Salvador, diz que Santo Antônio é um mediador importante dos milagres, mas ressalta que o verdadeiro responsável é Deus. Ele destacou que, fora do Brasil, Santo Antônio não tem nenhuma ligação com o casamento. De acordo com o frei, em nenhuma de suas ladainhas há preces para se conseguir um marido. Ele fala que não condena esse tipo de ligação, por se tratar de uma poética popular, e afirma: “Santo Antônio tinha mesmo era vocação para a pobreza, para a vida religiosa, para a so-li-da-ri-e-da-de. Ele é conhecido no mundo inteiro pelo seu profundo conhecimento da bíblia e como o primeiro padre cônego da Igreja Católica. Ao ponto de o papa Pio XII, em 1946, lhe dar o título de doutor evangélico”. O pároco ainda falou que, nessa época, sua igreja é visitada por pessoas de vários outros bairros como:Pituba, Graça, Vitória, Barra e outras.</p>
<p>A paróquia de Santo Antônio Além do Carmo já existe desde 1642. Sua primeira igreja foi fundada em 1827, ficava ao lado esquerdo da fortaleza de mesmo nome e de costas para o largo. Atualmente, a igreja fica ao lado direito. A divindade tem muitos fãs ilustres. Além de Maria Bethânia e Mabel Velloso, Carlinhos Brown e Benito Gama (a mãe de Benito já reza a trezena há 52 anos). A fidelidade ao santo, que é o Ogum do candomblé, leva muitas pessoas a se dedicar a ele por anos. É assim com o juiz da irmandade do Santo Antônio, Clarindo Silva, que começou na paróquia como coroinha, aos 10 anos, e há 28 é devoto do santo. Clarindo diz que não vê nenhum mal nessa cultura a respeito de Santo Antônio: “O que importa realmente é o lado espiritual. Por o santo de cabeça para baixo é a mesma coisa de por uma fotografia para baixo, é apenas uma imagem. O que interessa é a fé e o respeito que você sente internamente”.</p>
<p>A popularidade de Santo Antônio se deve a sua grande generosidade e rapidez no atendimento às preces. Os devotos dizem que quando perde um objeto, o acha em dois minutos. Querendo um casamento, com uma semana. Se for uma cura, aí há de se fazer uma promessa que se pague ano a ano. Um exemplo é o de um dos colaboradores da festa, Luís Humberto Rehm, que todo ano monta uma barraca para vender bolo, salgado, torta, refrigerante, suco e licôr. Toda renda que Luís tem com as vendas é revertida para a paróquia. Ele é morador do Barbalho e, desde a década de 80, monta a barraquinha para contribuir com a igreja. Há algum tempo, sua esposa passou por uma cirurgia, por causa de problemas neurológicos, e ele atribui o sucesso da operação à Santo Antônio. A mãe de Luís já adorava o santo e, inclusive, seus restos mortais encontram-se no ossuário da igreja.</p>
<p>O envolvimento com as comemorações acontece até com quem não é devoto do padroeiro. A pernanbucana Rosa Souza Marques, de 24 anos, há dois morando no bairro, acompanha seu marido, que é sobrinho do frei Ronaldo, e ajuda na venda de terços, bótons, medalhas, chaveiros e pulseiras. Rosa é católica, mas é devota de São José.</p>
<p><strong>Hino de Santo Antônio</strong><br />
Antônio santo/ De jesus querido/ Valei- me sempre/ No maior perigoRegai por nos/ Oh! Antônio/ Lá no céu/ Onde reina alegria/ Junto de deusAntônio santo/ De jesus querido/ Valei- me sempre/ Com vosso amparo<br />
(junho de 2005)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/17/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=17&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cultura, festa e fé</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jun 2007 21:25:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[por Renata Mendes A Igreja de Santo Antônio Além do Carmo, uma das mais antigas de Salvador, apresenta traços marcantes na história e na religiosidade da cidade. Com inúmeros movimentos e obras sociais, ainda hoje é bastante freqüentada por devotos de Santo Antônio, turistas e moradores da região, especialmente nos festejos juninos. Sua arquitetura, que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=16&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://soteropolitanosdocarmo.files.wordpress.com/2007/06/igreja.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-38" title="igreja" src="http://soteropolitanosdocarmo.files.wordpress.com/2007/06/igreja.jpg?w=594" alt=""   /></a></p>
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<p>por Renata Mendes</p>
<p>A Igreja de Santo Antônio Além do Carmo, uma das mais antigas de Salvador, apresenta traços marcantes na história e na religiosidade da cidade. Com inúmeros movimentos e obras sociais, ainda hoje é bastante freqüentada por devotos de Santo Antônio, turistas e moradores da região, especialmente nos festejos juninos. Sua arquitetura, que mistura traços do período barroco e do neoclássico, dá ao visitante a sensação de ter voltado ao período colonial.</p>
<p><span id="more-16"></span></p>
<p>A história de Santo Antônio Além do Carmo se confunde com a trajetória de afirmação da cidade de Salvador. A primeira missa celebrada no local, até então uma capelinha de barro de costas para o mar, consta de 25 de janeiro de 1594. Essa capela foi construída por Cristóvão de Aguiar Daltro, senhor de engenho de Água de Meninos, nas terras que lhes foram doadas por Tomé de Souza.</p>
<p>De acordo com o site oficial da Empresa de Turismo de Salvador – Emtursa (<a href="http://www.emtursa.ba.gov.br/">http://www.emtursa.ba.gov.br/</a>), a atual Igreja de Santo Antônio Além do Carmo foi a segunda a ser construída, em 1813, no período da Invasão Holandesa, sofrendo modificações e perdendo uma de suas duas torres. O site ainda informa que a Igreja “apresenta fachada rococó, uma torre única e interior em talha neoclássica”. A Igreja, que está situada em um largo de mesmo nome, possui um belvedere com vista para a Cidade Baixa, a Península de Itapagipe e a Baía de Todos os Santos.</p>
<p>Um dos vários colaboradores da Igreja é Paulo Silva, 39 anos, professor universitário de Letras, é uma espécie de &#8220;secretário&#8221; do padre. Morador do bairro do Barbalho, trabalha na Igreja há 29 anos. Ele começou pelo grupo de jovens, ajudando e trabalhando sempre nas obras da Igreja. Também já deu aula de catequese aos jovens do local. Paulo atua fortemente na organização dos festejos da Igreja, inclusive sendo considerado o “braço direito” do padre. No exterior da Igreja, pode-se notar a presença de placas comemorativas ao Monsenhor Gilberto Sampaio Pithon, que no ano de 2000 celebrou 25 anos como vigário da paróquia.</p>
<p>Apesar do frágil estado de saúde, ele ainda participa de algumas celebrações e missas. Os fiéis possuem considerável respeito pelo Monsenhor e por todos os seus anos de dedicação à paróquia. A paróquia é uma das mais fortes e atuantes da diocese, com missas todos os dias e presença de sete comunidades e mais de dez movimentos e pastorais. De segunda a sexta, as missas acontecem às 7h30 e às 11h. Às terças e sextas, ocorre nos horários das 14h e 17h. Aos sábados, são celebradas às 7h e às 16h. Aos domingos, elas acontecem às 8h e às 17h.</p>
<p>A Igreja, que é freqüentada geralmente por moradores dos bairros de Santo Antônio, Barbalho, Lapa, Pedreiras, Macaúbas e um trecho da Estrada da Rainha, coordena várias ações sociais, como a distribuição de pão aos mais necessitados às terças-feiras. Segundo Paulo, o único problema é que algumas pessoas com melhores condições de vida se aproveitam dessa distribuição para comer os pães, tirando de muitos daqueles que realmente necessitam. Por esse motivo, a Igreja pensou até na possibilidade de acabar com essa ação, que já dura quase 350 anos. Por ser uma obra antiga, decidiram continuar. Também na terça-feira, enquanto os adultos recebem os pães, as crianças têm direito ao mingau e ao café da manhã.</p>
<p>Também há a obra social da Igreja dos Perdões, comunidade ligada à paróquia, que assiste os moradores do Alto da Esperança. A Igreja ajuda fazendo a catequese e dando assistência àqueles que perdem suas casas, além fazer de uma conscientização política, que conta com uma cartilha especial elaborada pela CNBB, chamada &#8220;Política e Conscientização&#8221;. A idéia é fazer com que todos votem de forma melhor, com mais responsabilidade, para assim mudar o rumo da história do país.</p>
<p>A Igreja ainda não possui um site próprio. De acordo com Paulo, um rapaz que freqüenta o local e trabalha na área de Informática tem algumas idéias, mas ainda não foi possível torná-las realidade, o que pode ocorrer em breve. &#8220;Nesse mundo de hoje, tudo evolui e não podemos ficar pra trás, também temos que evoluir&#8221; ressalta o professor, que também diz que muitos estudantes de Jornalismo, História e Biblioteconomia, entre outros cursos, sempre procuram a igreja para saber mais a respeito de sua história ou pesquisar documentos antigos, e um site ajudaria bastante nesse sentido.</p>
<p>Paulo ainda comenta que a Igreja é bastante freqüentada, principalmente no mês de junho, em que ocorrem as comemorações de seu padroeiro, Santo Antônio. A Festa de Santo Antônio é a primeira festa junina. Ela tem início no dia 1° de junho e vai até o dia de Santo Antônio, 13 de junho. Os 13 dias de oração formam a trezena de Santo Antônio. No último dia, as famílias preparam bolo de milho, fubá, amendoim, e soltam fogos, assim como no São João.</p>
<p>Atualmente, o espaço da Igreja já não é suficiente para a festa, fazendo com que os fiéis fiquem do lado de fora. Também é comum a realização de quadrilhas para comemorar a data. Devido à fama do santo, muitos também procuram o local para realizar casamentos, além dos batizados que ocorrem sempre durante as missas.</p>
<p>De acordo com Paulo, por ser um bairro histórico, o local é mais freqüentado por pessoas da chamada &#8220;melhor idade&#8221;, embora também seja visitado por muitas pessoas mais jovens, com uma idade média de 35 anos. A renda média dos freqüentadores é de média para baixa, já que a área abrangida pela Igreja é a de bairros mais simples, embora alguns fiéis possuam melhor poder aquisitivo.</p>
<p>A professora da Matemática Jamile Azis Montanha, 53 anos, sempre foi católica, mas começou a participar ativamente há 21 anos, no Encontro de Casais com Cristo, e desde então sempre participa das atividades e catequeses. De sua família, apenas ela freqüenta ativamente a Igreja, pois o marido trabalha no bairro da Boca do Rio, dificultando assim sua participação. Seus filhos só freqüentaram até a catequese, e atualmente participam esporadicamente das atividades, o que ela acha que ocorreu pelo fato de serem jovens e não se sentirem estimulados, embora a igreja possua um ativo Grupo de Jovens, com mais de 30 pessoas.</p>
<p>Quando ela começou o “Encontro de casais com Cristo”, foi na Igreja da Saúde e Glória, onde passou 13 anos trabalhando. Por morar na região de Santo Antônio, não achou justo se deslocar até alguma outra paróquia, pois ela convive com a comunidade de Santo Antônio e conhece bem o seu cotidiano. Segundo Jamile, existe também um Grupo de Perseverança, do qual participam aqueles que já realizaram a primeira Eucaristia, com 27 pessoas. Há também o grupo daqueles que fazem a Crisma nos dias de segunda-feira.</p>
<p>Jamile disse não ter presenciado nenhum fato constrangedor, mas que às vezes alguém aparece querendo entrar sem camisa na Igreja, o que é considerado falta de respeito, então eles precisam alertar essas pessoas. Em uma ocasião, entrou um mendigo alcoolizado, gritando bastante. Os fiéis conseguiram tranqüilizá-lo, e ele conseguiu assistir à missa, chegando a chorar arrependido ao final dela, dizendo que sempre acreditou em Deus. &#8220;Deus deu a vida pra gente, e aí não dá pra descuidar dela. Os vícios a gente tem que vencer, procurar alguém que nos ajude”, ressaltou a professora.</p>
<p>Muitos estrangeiros visitam o local, já que muitos compram algumas construções históricas para transformar em hotéis, pousadas e restaurantes. Eles costumam aparecer apenas para visitar ou conhecer o local, não sendo participantes ativos da comunidade.</p>
<p>Turistas brasileiros também aparecem com freqüência para conhecer o local. A dona de casa curitibana Maria Alice da Silva, 42 anos, aproveitou as férias do marido para conhecer Salvador. Caminhando pelo Centro Histórico, parou em frente à Igreja para tirar algumas fotos. “Me apaixonei pela arquitetura dela, que é simples e bonita ao mesmo tempo”, disse a dona de casa. Ela também disse que quando tiver outra oportunidade de viajar, gostaria de assistir a uma festa.<br />
(novembro de 2006)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/16/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=16&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Turismo forte</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jun 2007 21:21:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Renata Mendes Os bairros do Carmo e do Santo Antônio, localizados no Centro Histórico de Salvador apresentam variadas opções de hospedagem aos turistas, desde o Convento do Carmo, cujo pacote de três dias na Suíte Loft chega a custar R$9.320 (preço estipulado para as comemorações do Reveillon), até ambientes familiares e com preços bem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=15&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Renata Mendes</p>
<p>Os bairros do Carmo e do Santo Antônio, localizados no Centro Histórico de Salvador apresentam variadas opções de hospedagem aos turistas, desde o Convento do Carmo, cujo pacote de três dias na Suíte Loft chega a custar R$9.320 (preço estipulado para as comemorações do Reveillon), até ambientes familiares e com preços bem mais acessíveis, como as pequenas pousadas que servem como referência na região. <a href="http://bp0.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rmh7KiDEDhI/AAAAAAAAAkc/KQQJ_GYOrBc/s1600-h/cruz-pascoal.jpg"><img style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" src="http://bp0.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rmh7KiDEDhI/AAAAAAAAAkc/KQQJ_GYOrBc/s320/cruz-pascoal.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p>Segundo o joalheiro e também proprietário do Restaurante da Tia Glória, Melquisedec Alves Casaes, 56 anos, há mais de 40 pousadas instaladas na região, e quase todas são administradas por estrangeiros (italianos, espanhóis, portugueses, franceses, entre outras nacionalidades). A Pousada do Boqueirão, administrada pela italiana Fernanda Cabrini, é um exemplo. O funcionário Davi Souza do Nascimento, 23 anos, trabalha no local há quatro anos. A pousada, que foi inaugurada há 12 anos, começou com apenas quatro quartos, e depois ganhou mais 11 quartos, segundo Davi. A pousada, cujas diárias variam de R$85 a R$180, é mais procurada por turistas europeus, principalmente italianos e alemães, que geralmente preferem o quarto número cinco, que possui vista para o mar.<span id="more-15"></span></p>
<p>Um detalhe que chama a atenção na Pousada do Boqueirão é a decoração, que apesar de ter sido idéia da proprietária italiana, possui motivos bem brasileiros, como estátuas de barro, que também podem ser adquiridas pelos hóspedes por valores a partir de R$8.</p>
<p>A Pousada Redfish, localizada em frente à Igreja do Boqueirão, chama a atenção por sua fachada: é um casarão do período colonial. Suas diárias variam de R$240 a R$360. Até o período do Carnaval de 2007, o local já está com todas as reservas esgotadas. Márcio Perilo, 32 anos, trabalha no local há seis anos. A Pousada, que é administrada por um inglês e sua esposa brasileira, foi inaugurada em 2004. Inicialmente, eram dois hotéis, porém um deles fechou para se tornar residência do proprietário, segundo Márcio.</p>
<p>Os hóspedes da Pousada Redfish, em sua maioria ingleses, também podem adquirir objetos na galeria de arte do hotel, já que o dono é artista plástico. O preço dos quadros, geralmente comprados por estrangeiros, varia de R$3 mil a R$4 mil.</p>
<p>Outro local bastante procurado na região é a Pousada do Pilar, administrada por sete italianos e um brasileiro. O diferencial da Pousada do Pilar é o fato de ser a única da região a possuir um elevador, apesar de hidráulico. O estudante de Turismo Alexandre Araújo Casal, 23 anos, trabalha no local há dois anos. Segundo ele, a Pousada do Pilar foi restaurada e inaugurada no Carnaval de 2005, embora seu tempo de uso seja de apenas um ano e 11 meses. As diárias variam de R$210 a R$350, sendo sete quartos com vista para o mar e cinco quartos com vista para o Centro Histórico. 95% do público do hotel é formado por turistas, principalmente italianos e alemães.</p>
<p>Um dos sócios da Pousada do Pilar é casado com uma brasileira, cujos irmãos possuem uma empresa de carros fretados que levam os turistas do Aeroporto ao Hotel, além de apresentar alguns pontos da cidade a eles.</p>
<p>Muitos dos hotéis e pousadas da região possuem parcerias com agências de turismo, tanto do Brasil como do exterior. De acordo com Davi, os hotéis vendem os pacotes às agências por um determinado preço, e elas vendem aos clientes por um preço um pouco maior. Algumas das agências parceiras são: Blue Mar, Cruz Bahia, Itaparica Tur e Lilás Turismo.</p>
<p>Além de restaurantes e hotéis, nota-se a presença de vários ateliês e galerias de arte na região, onde são encontrados objetos artesanais, quadros, cartões postais, camisetas e também as famosas fitinhas do Senhor do Bonfim. Outro serviço facilmente encontrado é o de acesso à internet, até por causa do grande número de turistas que se hospeda no Centro Histórico.</p>
<p>O taxista Juarez Santana, 46 anos, trabalha há três anos e meio anos na região, bem em frente ao Convento do Carmo. Juarez conta que o serviço é pouco solicitado pelos moradores, já que muitos possuem transporte próprio ou utilizam os meios de transporte públicos. Os taxistas são procurados apenas pelos turistas, principalmente nos períodos de dezembro e janeiro, embora muitos não sejam do Convento. “Geralmente os clientes desse hotel do Carmo, por exemplo, já vêm direcionados e utilizam mais o serviço de carro fretado mesmo”, conta o taxista.</p>
<p>Juarez comenta que os locais mais procurados para o chamado “city tour” são: Ribeira, Bonfim, Mercado Modelo, Farol da Barra, Solar do Unhão, Dique do Tororó, Lagoa do Abaeté e as praias da orla, do o Rio Vermelho a Itapuã.</p>
<p>O taxista ainda afirma que o Carmo é um bairro tranqüilo para trabalhar, raramente com alguma ocorrência de assalto. Ele já presenciou casos em que alguns garotos procuraram os taxistas para tentar “negociar” objetos como relógios e jóias, utilizando o dinheiro para comprar drogas e álcool. Mas por ser bastante conhecido e respeitado pelos moradores, os garotos nunca agiram de forma violenta com ele.</p>
<p>O representante de vendas Venâncio Seara González Junior, 25 anos, é morador do Bonfim e freqüentemente passeia pela região do Centro Histórico. Venâncio diz que até pouco atrás a região era caracterizada pela prostituição e pelos assaltos. Com a revitalização do Centro Histórico e do Comércio, o número de turistas transitando pelos bairros aumentou consideravelmente, o que, segundo ele, é bom para a economia do Estado e para a imagem do Brasil no exterior.<br />
(novembro de 2006)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/15/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=15&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>As belezas do Mercado das Sete Portas</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jun 2007 21:19:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIDADE]]></category>

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		<description><![CDATA[por Aisele Moreira Com becos estreitos, cheiro forte de temperos, preços populares, produtos de qualidade e bem expostos, pessoas que se cumprimentam o tempo todo, enfim com características próprias o mercado das sete portas se mantém imponente e é um grande centro comercial desde a década de 40. Inaugurado, no bairro das Sete Portas em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=14&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Aisele Moreira</p>
<p>Com becos estreitos, cheiro forte de temperos, preços populares, produtos de qualidade e bem expostos, pessoas que se cumprimentam o tempo todo, enfim com características próprias o mercado das sete portas se mantém imponente e é um grande centro comercial desde a década de 40. Inaugurado, no bairro das Sete Portas em Salvador e tendo como proprietários os membros da família Pinto de Aguiar, o mercado tem se modernizado com o passar do tempo, sem perder características que lhes são peculiares.<span id="more-14"></span></p>
<p>Com gente simples que trabalha para sobreviver, mas sem perder a alegria e a esperança de que o movimento melhore o mercado vai enfrentando o tempo e tendo seus 200 boxes passados de geração para geração. Há algum tempo que o fluxo de clientes no local vem diminuindo o que preocupa muitos comerciantes do local. “A situação aqui melhorou muito em termos de estrutura, mas o movimento anda um pouco devagar. Temos que pagar o aluguel, o condomínio, mas, com esse movimento fica difícil”, diz o feirante Eupidio Alcântara, que trabalha no mercado à 40 anos e é locatário do box 93 onde comercializa cereais.</p>
<p>O gerente responsável pela administração do mercado é Anísio Rodrigues, que trabalha no mercado á mais de 50 anos. Ele,e que eles devem reconhecer istontes s vantagem de ntante e os feirantes tem 20 minutos de tolerancia redito que esse diz que apesar de os locatários reclamarem do valor do aluguel, que fica em torno de R$ 500,00 a depender do tamanho e da localização do box, todas as medidas possíveis para melhorar a qualidade de vida dos feirantes são tomadas e que eles devem reconhecer isto. Diz ainda que os locatários podem contar com a vantagem de não ser cobrada a água, pois, a reserva é feita em um poço e a água é distribuída para todos os boxes, já a energia e a linha telefônica são de responsabilidade do feirante responsável pelo box.</p>
<p>A estrutura foi melhorada segundo os comerciantes e clientes antigos do mercado. Os sanitários são limpos e bem organizados, tem hora certa para o banho, das 17h às 18h30, e um funcionário que fica responsável por manter a limpeza do local. No caso do banheiro feminino a responsável é Neide Almeida, 41, funcionária do mercado á cinco anos. “As pessoas aqui me tratam com muito respeito e me ajudam a manter o banheiro limpo, gosto de trabalhar aqui e acredito que esse mercado ainda vai ficar melhor”, falou Neide com um sorriso no rosto e segurando uma porquinha porta-moeda, que fica sobre uma mesinha localizada próxima à porta. Segundo ela o dinheiro arrecadado no cofrinho é para ajudar a comprar materiais de limpeza, apesar dos mesmos serem fornecidos pela administração, não são suficientes para conservar o banheiro limpinho como ela gosta.</p>
<p>Um estacionamento foi criado para facilitar o carregamento e descarregamento de mercadorias. No inicio o estacionamento era gratuito, mas devido à falta de organização passou a ser cobrada um taxa de um real por hora para o visitante e os feirantes têm 20 minutos de tolerância para carga e descarga, passado esse tempo eles também pagam a taxa de estacionamento. O comerciante de bebidas Everaldo Souza que é locatário do box115 à cinco anos diz que a implantação do estacionamento facilitou muito a vida dos feirantes, mas, que o tempo de tolerância poderia ser maior.</p>
<p>Uma associação de barraqueiros foi criada pelo comerciante Augusto Cerqueira, que vende carnes e cereais no mercado à 20 anos, com o propósito de levar ao conhecimento da administração do mercado, todas as necessidades dos barraqueiros. Algumas reivindicações foram atendidas como é o caso do estacionamento, outras estão passando por um processo de avaliação como a proposta de redução do aluguel.</p>
<p>Um contrato com o SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) está sendo fechado, para que o mercado tenha seu espaço publicitário em um dos programas esportivos da rede, a expectativa de Augusto é que isso movimente mais a economia e que o movimento de clientes seja maior.</p>
<p>Hoje os clientes podem contar com a disponibilidade de máquinas de cartões de credito o que facilita na maioria dos casos na hora da compra. Como é o caso de Elvira Araújo, que faz compras de 15 em 15 dias no mercado e diz que os preços populares e as pessoas agradáveis do local é o que mais a motiva a estar sempre visitando o mercado. “Poder comprar com cartões de crédito dentro de uma feira facilita muito a minha vida, adoro as pessoas desse lugar, sou amiga de muitos comerciantes aqui e sempre que posso dou uma passadinha nem que seja só para fazer uma visita”, diz Elvira Araújo, 48, cliente do mercado à mais de cinco anos.</p>
<p>Os antigos clientes também elogiam e fazem questão de demonstrar a satisfação em comprar e passear por entre os becos do mercado como é o caso de dona Luiza Silva, 68, cliente do mercado á aproximadamente 30 anos, faz questão de vir ao mercado todos os sábados para comprar frutas e legumes, diz que são os melhores da cidade.</p>
<p>Com produtos de qualidade, temperos de cheiro forte, carnes e cereais de todos os tipos e vindos de várias regiões da Bahia, o mercado das Sete Portas vai resistindo ao passar do tempo e continua sendo um grande centro comercial da capital baiana. Aos freqüentadores resta apreciar suas belezas e desfrutar das maravilhas que podem encontrar enquanto passeiam pelos becos e boxes do mercado.<br />
(novembro de 2006)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/14/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=14&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>De blusa azul</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jun 2007 21:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Lenina Uzêda Quem passa por volta de 13h na rua Emídio Santos, no bairro do Barbalho, não pode deixar de notar uma grande massa de jovens trajando blusas azuis. São alunos e alunas do CEFET devidamente fardados, o colégio federal que já foi ensino técnico e abrigou em seus muros inúmeras gerações. Eles podem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=13&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Lenina Uzêda</p>
<p>Quem passa por volta de 13h na rua Emídio Santos, no bairro do Barbalho, não pode deixar de notar uma grande massa de jovens trajando blusas azuis. São alunos e alunas do CEFET devidamente fardados, o colégio federal que já foi ensino técnico e abrigou em seus muros inúmeras gerações. Eles podem ser vistos na porta da escola conversando, namorando ou chorando por uma questão perdida na prova de química.<span id="more-13"></span></p>
<p>Logo na entrada tem um grande monumento que os alunos apelidaram de “aranha”, e perto dali se encontra a Praça Vermelha. É nessa tal “praçinha” onde os estudantes se reúnem para discutir, entre outros assuntos, política. Para Ruan de Alcantara, de 17 anos, que cursa o 2º ano: “Não tem como a gente não se envolver com a vida política aqui, sempre tem palestras e passeatas que alguns alunos organizam para incentivar outros alunos”. De sapato All Star preto com os cadarços rosa, Maianne Fernandes concorda com Ruan, porém torce o nariz quando é perguntada sobre a importância que a diretoria dá para esses alunos engajados: “A diretoria é distante, aqui é um pouco difícil de lutar pelos nossos direitos. O grêmio estudantil é atuante, mas enfrenta muita repressão”.</p>
<p>Mais do que se engajar na vida política, para Victor Montalvão, de 15 anos, que saiu de uma escola particular quando fazia o ensino fundamental, o mais importante é o valor de ter o livre-arbítrio. Ele faz uma avaliação sobre a diferença entre seus últimos dois colégios: “Aqui eu tenho muito mais liberdade, posso sair na hora do intervalo, filar uma aula de vez em quando, eu tenho o poder da escolha!”. É por causa dessa liberdade que Pedro Teodoro, 16, e que estuda na mesma sala de Victor, não troca o CEFET por nenhuma outra escola: “Eu que também vim de escola particular e mesmo com essa desorganização, foi aqui que eu abri minha cabeça para muitos assuntos”. Pedro ainda lembra que partiu da sua mãe o incentivo de se matricular em um curso para poder se preparar melhor para o teste que é preciso fazer antes de entrar no Centro Federal.</p>
<p>Com 10 turmas no 1º ano, oito turmas no 2º e sete turmas no 3º, o CEFET tem até comunidade no Orkut. Ruan afirmou que, para ele, “estudar aqui é ter um diferencial no histórico escolar, porque muitos saem daqui para a UFBA ou para a UNEB”. Porém o colégio está precisando de algumas reformas. “Uma das quadras foi fechada porque está em condições precárias, outro dia um aluno até prendeu o pé em uma das grades que estava solta”, relata Lina Mendes, de 16 anos, que além de cursar o 2º ano, tem o irmão mais velho no 3º e a irmã caçula no 1º ano. E não é apenas de uma reforma que a escola está precisando, também faltam livros. “Tem muito aluno para a pouca demanda de livros. A gente chega a ficar esperando depois da aula na porta da biblioteca a entrega de algum livro que contenha os assuntos da aula”, afirmou Jéssica Lima, de 15 anos, acrescentando que “os livros também estão muito velhos”. A falta do serviço médico também é uma queixa recorrente entre esses alunos, já que, para eles, a sala está sempre de portas fechadas. “Existia um serviço de consulta odontológica, mas está suspenso”, reclama Maianne.</p>
<p><strong>Fora da sala de aula</strong><br />
Entretanto não é só de aulas de química e geografia e livros de matemática que vivem os estudantes do Centro Federal. Eles podem completar a carga horária com aulas de arte ou de dança e as famosas idas às quartas no Shopping Iguatemi, porque o ingresso do cinema é mais barato. Também não pode faltar a parada obrigatória na lanchonete de Robson. “Ninguém compra na lanchonete do colégio, é tudo caro!” diz Jéssica. “Ninguém não, Calouro compra&#8230;”, afirmou Maianne sorrindo.</p>
<p>A lanchonete Recreio, que pertence a Robson Vilas Boas, foi aberta há cinco anos atrás em sociedade com seu irmão. O ponto de encontro, que abre às 7h da manhã e que tem seu último pedido servido às 22h, tem como 75% de consumidores os alunos do CEFET. “O lanche mais pedido aqui é o famoso rangão, que é um sanduíche de ovo, salsicha e queijo. A galerinha gosta porque alimenta bem!”, comentou Robson.</p>
<p>Em meio a tantas dificuldades &#8211; a quadra que está fechada e que não tem previsão de ser consertada, a falta de material na aula prática de química, o estresse que alguns alunos enfrentam antes de fazer a prova e as crises de identidade pela qual muitos adolescentes passam -, existem os sonhos e a tal vocação profissional. “Eu estou em dúvida entre arquitetura ou desenho industrial”, falou pensativa Lina, enquanto que Ruan disse que preferia estudar Engenharia Química por causa do bom mercado de trabalho. Mas essa discussão fica para outro dia. Porque amanhã de manhã tem teste de História do Brasil.<br />
(junho de 2005)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/13/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=13&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sem querer sair de casa</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jun 2007 21:12:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[por Lenina Uzêda Ao procurar o significado da palavra família no dicionário Aurélio, em tese várias opções poderão ser encontradas. Entre “Pessoas aparentadas que vivem, em geral, na mesma casa, particularmente o pai, a mãe e os filhos” também se pode achar “Origem, ascendência”. Porém a palavra família pode apresentar um significado muito mais complexo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=12&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Lenina Uzêda</p>
<p>Ao procurar o significado da palavra família no dicionário Aurélio, em tese várias opções poderão ser encontradas. Entre “Pessoas aparentadas que vivem, em geral, na mesma casa, particularmente o pai, a mãe e os filhos” também se pode achar “Origem, ascendência”. Porém a palavra família pode apresentar um significado muito mais complexo que esse, como em alguns bairros onde pessoas do mesmo sangue vivem juntas numa mesma casa, acumulando relações pessoais e repartindo convivências.<span id="more-12"></span> Em bairros populares como o do Santo Antônio, ainda é possível se ver antigas casas, preservadas pelos moradores, paradas no tempo e habitadas por inúmeros membros de uma mesma família. “Não penso em nunca me mudar daqui!”, exclamou alegremente Alice da Conceição, que mora no bairro desde os 12 e hoje, aos 74 anos de idade, apenas reclama que em seu bairro já houve melhores épocas de festas na rua. “Criei meus dois filhos aqui. A minha menina está morando na Itália, ela queria me levar pra lá também, mas eu não saio daqui não”, continuou dona Alice enquanto esperava para comprar o peixe que estava sendo tratado perto de sua casa que fica a alguns passos da Ladeira do Boqueirão.</p>
<p>Algumas casas depois, em um casarão com duas janelas grandes na frente, mora a família de Vanda Andrade, de 64 anos. “Vim morar aqui aos 15 anos, gosto muito desse bairro e moro nessa casa com minha mãe e algumas de minhas irmãs”, afirmou Vanda. Dividindo uma das janelas com Vanda, estava Nair Andrade, de 61 anos, que ao contrário de sua irmã preferiu sair da casa da mãe. “Sou solteira, não saí daqui pra casa de marido, criei minha independência financeira mais sempre venho aqui ver minhas irmãs e minha mãe”, diz Nair.</p>
<p>As duas dizem conhecer toda a vizinhança e comentários é o que não falta sobre a conduta da vida alheia, “Olha ali, Vanda, aquela lá de conversinha com o marido de Rita”, fala sorrindo Nair. Famílias inteiras unidas em um só ambiente é um tipo de comportamento que é muito comum em ambientes em que todos se conhecem, até na literatura brasileira é possível se observar isso. No livro Dom Casmurro de Machado de Assis, a mãe de Bentinho, Glória, morava junto com o tio Cosme, desde que ela havia enviuvado. O personagem de tio Cosme também era viúvo assim com o personagem da prima Justina, que também morava junto com os dois, era conhecida como a casa dos três viúvos.</p>
<p><strong>Filhos<br />
</strong>Rosângela Barreto, que mora no bairro há cerca de 30 anos com o pai e seus três filhos, também conhece todos que moram em Santo Antônio, “Alguns eu nem conheço pelo nome, só sei o apelido”, comenta ela. Aluguel, gastos como contas de luz, água e etc, são os principais motivos relatados pelos quais filhos não se separam mais dos pais. O filho mais velho de Rosângela, Fabrício, de 24 anos, mesmo estudando e trabalhando diz que não pretende sair da casa da mãe, “Além de estar junto da minha família, aqui eu fico perto do centro da cidade”, justifica ele. “Se eu sair daqui de Santo Antônio, não tenho condição de morar numa casa como essa ou terei que morar muito longe do centro”, afirmou Vanda.</p>
<p>Dona Alice acha certo a família morar toda junta em uma casa só. “Assim ninguém se separa, pois quando os filhos saem de casa eles não voltam mais para visitar os pais”, afirma ela. Rosângela ainda diz que os seus outros dois filhos pensam da mesma forma, que a convivência deles com o avô nem sempre é pacífica, e que mesmo gostando de ter todos por perto, acha que eles deveriam buscar a auto-suficiência: “Mas mãe é assim mesmo, sempre aceitando os filhos como eles são”, termina ela.<br />
(junho de 2005)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdocarmo.wordpress.com/12/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=12&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Frágeis fortalezas</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Apr 2007 13:16:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>

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		<description><![CDATA[por Arlon Carlos Barbalho e Santo Antônio, região norte de Salvador. Bairros que cresceram no entorno de fortificações militares, o nome de batismo veio delas. O Forte do Barbalho, de 1638, foi inicialmente construído a base de terra, pelo mestre de campo (militar) Luiz Barbalho, para proteger a cidade de uma segunda invasão holandesa. Hoje, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdocarmo.wordpress.com&amp;blog=1555256&amp;post=10&amp;subd=soteropolitanosdocarmo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Arlon Carlos</p>
<p>Barbalho e Santo Antônio, região norte de Salvador. Bairros que cresceram no entorno de fortificações militares, o nome de batismo veio delas. O Forte do Barbalho, de 1638, foi inicialmente construído a base de terra, pelo mestre de campo (militar) Luiz Barbalho, para proteger a cidade de uma segunda invasão holandesa. Hoje, quem precisa de proteção é o monumento. Já o Forte de Antônio Além do Carmo não tem uma fundação muito precisa, uns falam no ano de 1625, outros entre 1659 e 1695, para substituir uma trincheira. Dizem que esta fortaleza assim se chama por causa de um escravo: o negro Antônio. Trepado num jenipapeiro e munido de pedras pontiagudas, ele teria posto as tropas holandesas para correr daquela região. Devido a isso, El-Rei Felipe III teria lhe concedido tal honraria: torná-lo capitão do forte. O escravo ficaria muito triste em ver como sua fortaleza se encontra atualmente, em ruínas.</p>
<p><span id="more-10"></span></p>
<p>Muito se diz a respeito dos fortes, sobretudo, que existe um canal subterrâneo que os une. Mas a ligação entre eles vai muito além desse imaginário. Há muita semelhança entre os bairros onde foram erguidas tais fortalezas desde a arquitetura antiga do casario aos costumes da vizinhança. A modernidade ainda não os atingiu. No largo de Santo Antônio, por exemplo, há uma igreja, uma praça e vários barzinhos, como num interior. Muitas pessoas costumam ir ao largo para apreciar a bela vista da Baía de Todos os Santos e conhecer um pouco de uma região que faz parte do sítio histórico de Salvador. Uma delas é a professora de Física e Matemática Lícia Sampaio, que o freqüenta desde os 9 anos. Com amigos, ela mantém o hábito de conversar e tomar uma cervejinha. Lícia diz que o Santo Antônio não é mais o mesmo, que é uma pena vê-lo assim, sente falta da época em que ia para as festas do largo: “Antigamente, aqui tinha muitos shows, inclusive, Rita Lee e Caetano Veloso. O Ilê Aiyê ensaiava no forte todo sábado. Essa praça já foi revitalizada, mas manutenção que é bom, nada. O Santo Antônio está abandonado”.</p>
<p>Em frente ao forte, o largo. Um olha para o outro em ruínas, esperando a iniciativa das autoridades. A comunidade reclama a preservação do seu patrimônio, mas muito pouco tem sido feito. O Forte de Santo Antônio vem abrigando duas escolas de Capoeira. Uma delas é a do Mestre João Pequeno, que é discípulo do já falecido Mestre Pastinha, que morreu em 1981. Baianos e estrangeiros têm aulas no local. Quatro vezes na semana, no final da tarde e à noite, eles se reúnem para participar das rodas de Capoeira Angola. A outra é a do mestre Moraes, que funciona de terça a domingo, também do mesmo estilo de capoeira. Um serviço de guarda 24h toma conta do forte, da empresa Mendes e ferraeira (M&amp;F), e um posto da polícia militar, há vinte anos, permanece ao lado direito dele. Mesmo assim, isso não impediu a ação de vândalos, usuários de drogas e invasores no monumento. Ao lado deste, encontra-se uma favela, a Chácara Santo Antônio, que, inclusive, foi formada por muitos dos ocupantes que foram indenizados pelo Ipac e retirados da fortaleza.</p>
<p>O Tenente Coronel Patrício, há dois anos à frente do 18º Batalhão da Polícia Militar, é quem gerencia a segurança do Santo Antônio: “Algumas vezes, nós somos acionados para coibir a ação de usuários de maconha nas imediações do forte”. A fortaleza, que já foi prisão durante a Revolta dos Malês, em 1835, e casa de detenção hoje transferida para o bairro de Mata Escura, vem se descaracterizando e já perdeu dois de seus baluartes (torres das extremidades do forte, sustentada por suas muralhas). Edna Maria Monteiro vive no bairro há 30 anos e não se conforma com a situação do lugar: “A marginalidade aqui aumentou. Vacilou, você é assaltado. O posto da PM é só de enfeite e a associação de moradores só funciona quando quer organizar as festas da igreja. Que saudade da época em que isso aqui era valorizado. Havia até um projeto onde já se apresentaram Cauby Peixoto e Ângela Maria, o Viva Essa Festa”.</p>
<p>O potencial turístico do patrimônio artístico e cultural da Bahia é latente, mas o Estado ainda não se deu conta disso no Santo Antônio e Barbalho. O que mais atrai o turista a Salvador é sua história, seu povo, sua arte. E os bairros têm isso de sobra. No Santo Antônio, os estrangeiros já perceberam isso e muitas das pousadas pertencem a franceses, alemães e italianos. A área de maior interesse é a que tem como vista a Baía de Todos os Santos. O Coronel Anésio Ferreira Leite, dirigente da Associação Brasileira dos Amigos das Fortificações Militares e Sítios Históricos (Abraf), criada em novembro de 1998, dá a sugestão: “O turista importante é aquele que vem a Salvador para ver um jarro, e no ano seguinte, ele volta para apreciar outra peça”. Atualmente, o Cel. Leite promove um tour marítimo, que conta a história de Salvador através dos fortes. Um saveiro sai do centro náutico, em frente ao mercado modelo, faz uma visita ao Farol da Barra, ao Forte de Monte Serrat e segue para o Forte de São Marcelo.</p>
<p><strong>Fortalecendo o patrimônio<br />
</strong>A maior das fortificações de Salvador, com um perímetro de 520 metros, já comportou 22 canhões, já foi hospital, prisão durante a ditadura, quartel do exército e batalhão da PM. Três séculos e meio de existência, tombada pelo Iphan em janeiro de 1957. Nela, já estiveram presos o presidente deposto da província de Sergipe, Carlos César Burlamaqui e Cipriano Barata, que escreveu o panfleto Sentinela da Liberdade, durante a sua prisão. Até 2002, o 7º Batalhão da Polícia Militar (7ºBPM) a ocupava. Recentemente, o monumento serviu de cenário para o espetáculo O evangelho segundo Maria, da diretora teatral Carmem Paternostro. Em meio a janelas quebradas, portas caindo aos pedaços, muito mato, limo e erosões, o forte vem sendo utilizado e conta com a segurança dos soldados do 7ºBPM. Na verdade, quatro soldados que se revezam em períodos de 24 horas e folgam 72. Inclusive, um deles leva seu filho para amenizar a solidão que impera no monumento. O lugar abriu espaço para oficinas de pesquisa, em figurino e cenário de época, para o filme Viva o Povo Brasileiro, da obra homônima de João Ubaldo Ribeiro. Crianças e adultos da vizinhança aproveitam as duas quadras de esporte, construídas pelo Exército em 1920, para jogar futebol. Israel Souza dos Santos, 12 anos, morador da Av. Pantaleão, diz que não perde um jogo no sábado com os amigos. Esta é a história do Forte do Barbalho.</p>
<p>Salvador tem tantos fortes, que poderia se chamar Fortaleza. O desenvolvimento da cidade acarretou a necessidade de defendê-la. Muitos estavam de olho no comércio da cana-de-açúcar. A engenharia militar logo se pôs a criar um sistema de defesa. Salvador é uma cidade que foi planejada, assim como a capital do Brasil. O antropólogo, poeta e ensaísta Antônio Risério a chama de a “Brasília do séc. XVI”. As fortificações são um tema tão amplo que o professor Mauro Mendonça de Oliveira, do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFBa, escreveu um livro sobre o assunto: As Fortificações Portuguesas de Salvador &#8211; Quando Cabeça do Brasil. Nele, o professor trata das técnicas e dos materiais utilizados para construção dos monumentos, além de fazer um mapeamento histórico. Uma das curiosidades do livro é que os recursos, na sua maioria, não vinham da coroa portuguesa, e sim, de doações dos chamados coronéis.</p>
<p>E hoje, de onde virão os recursos para revitalização das fortalezas? Da iniciativa privada ou pública? O diretor de patrimônio do Ipac, José Augusto Leal, diz que isso será feito com recursos do Governo Federal, através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Leal tem vários planos para o Forte de Santo Antônio Além do Carmo. Pretende transformá-lo num centro de referência de estudo, pesquisa e memória da Capoeira. O projeto está em análise no Iphan, e depois de aprovado, o tempo previsto para conclusão é de um ano e três meses. Após a restauração, ele diz que as duas escolas de Capoeira vão continuar funcionando, que haverá encontros de grupos em nível regional, um acervo de vídeos, livros e outros documentos sobre o assunto e a preparação de mestres para o ensino dessa arte em escolas públicas.</p>
<p>Depois do Forte da Capoeira, será a vez do Forte das Artes Cênicas, projeto em andamento para o Forte do Barbalho. A arquiteta do Ipac, Etelvina Rebouças, não quis entrar em detalhes sobre o assunto. Apenas falou que havia feito algumas correções no projeto, a respeito do mapeamento histórico, e que algo semelhante ao Forte da Capoeira será feito no Barbalho, só que direcionado às artes cênicas. E ressaltou a importância de um trabalho de conscientização da comunidade para preservação do patrimônio: “Mais importante do que restaurar nossos monumentos, é mantê-los em perfeito estado de conservação. O ideal, e mais rentável para a União, é que eles se conservem como tal. E para isso, temos que educar nosso povo em relação aos nossos bens culturais, seduzi-los com a historia dessas obras. A gente só cuida do que a gente conhece e gosta”.</p>
<p><strong>Exemplos da ignorância relacionados ao patrimônio histórico e artístico cultural:<br />
</strong>- a Igreja Nova de Santana foi construída sobre as ruínas do antigo Forte do Rio Vermelho, a pedido do padre Antônio da Rocha Vieira. Em 1967, a igreja foi inaugurada e o forte sepultado;<br />
- o Forte de São Bartolomeu da Passagem, que localizava-se na penísula itapagipana, foi demolido em 1903, por ordem do então presidente da província.<br />
- O Forte do Rosário, que ficava entre a Rua do Pilar e o sopé da ladeira da Água Brusca, hoje dá lugar a Av. Jequitaia.<br />
Outros forticídios estão registrados no livro Fortificações da Baía, de José da Silva Campos.<br />
(junho de 2005)</p>
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